14.10 Nihilism
Data: 17/01

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18/01/2019

As estrelas de SPN falam sobre o 300º episódio da série para a EW.


As estrelas e a equipe por trás dos episódios de Supernatural conversaram com a EW sobre o episódio especial que foi preparado para os fãs em celebração aos 300 episódios. Confira!

As estrelas de Supernatural foram capa da EW para celebrar os 300 episódios (e uma reunião épica).

"HORA DE REUNIR"

Jared Padalecki fará um anúncio. É começo de Dezembro, ele e o co-estrela de Supernatural, Jensen Ackles, estão se preparando para os dois últimos dias de gravação do 300º episódio (vai ao ar no dia 7 de fevereiro) como irmãos caçadores de demônios, Sam e Dean Winchester, respectivamente. Enquanto eles caminhavam para o set dos Homens de Letras em uma quinta-feira chuvosa, eles esbarraram com Jeffrey Dean Morgan, amigo pessoal e o homem que trouxe o papai John Winchester à vida no piloto da série (e deixou a série depois da 2ª temporada). “É a culminação de 300 episódios,” Padalecki diz sobre o retorno de Morgan. Depois de tudo, o desaparecimento de John foi o gatilho para as viagens dos irmãos.

“PAPAI SAIU PARA CAÇAR E NÃO APARECE EM CASA HÁ ALGUNS DIAS”

No apartamento universitário do seu irmão, Dean Winchester proferiu essas palavras pela primeira vez no piloto, e fazendo isso, lançou o primeiro grande mistério de Supernatural – e dos irmãos. “Eu tinha uma boa impressão da série só de ler o piloto”, Ackles disse. “Havia determinação, os personagens eram bem escritos, e a história tinha um caminho pela frente.” Entretanto, ele não tinha como prever o tamanho desse caminho.

Supernatural estreou no The WB em 2005 e desde então tornou-se a série de maior duração na história da The CW. A ideia era simples: dois irmãos caçando monstros de lendas urbanas, o tipo de coisas que você escuta enquanto sentado em volta de uma fogueira de acampamento. Maria Sangrenta? Eles mataram ela. Homem do Gancho? Sim, ele também. Mas não demorou para os roteiristas entenderem que eles deveriam ampliar o alvo da série se eles quisessem conseguir 20+ episódios (bem menos de 300). “Nós percebemos rapidamente que o conceito da série se esgotaria em pouco tempo, então mesmo no início nós expandimos nossos horizontes do que o show poderia ser,” disse o produtor executivo Robert Singer. Mas o quanto eles poderiam esticar? E eles teriam ao menos uma chance?

Apesar de sobreviver a fusão WB-UPN em 2006, que criou a The CW, levou anos para Supernatural se estabilizar em solo firme. “Bob Singer e eu estávamos lutando para a sobrevivência da série no fim das três primeiras temporadas,” o criador Eric Kripke disse. “Nós tínhamos um encontro com a network que nós chamávamos informalmente de reunião do ‘explique-porque-nós-deveríamos-produzir-outra-temporada’.” E ainda tinha algo sobre essas condições que pareciam certas para uma série sobre dois humanos tentando salvar o mundo de forças sobre-humanas. Assim como Dean falou em um episódio da 14ª temporada, “Probabilidades impossíveis – se sentimos em casa.” Mas a terra das probabilidades impossíveis não é simplesmente onde a série (e os Winchesters) moraram nesses anos atrás. É onde eles prosperaram. “No começo nós quase queríamos maliciosamente ver o que poderíamos fazer,” Kripke disse. "Não tinham muitos gêneros de séries na The CW. Era mais Gossip Girl e 90210. Nós sempre éramos como os adolescentes góticos do fundo da classe que ninguém prestava muita atenção. Então nessa pequena série bizarra de horror, nós realmente tivemos que ultrapassar alguns limites que não tinham sido abordados na TV. Não tinha ninguém falando, ‘Isso é muito louco.’” Então eles arriscaram. Eles escreveram um episódio estilo Groundhog Day chamado “Mistery Spot” em que o Dean morre mais de 100 vezes em uma hora. Eles criaram “Hollywood Babylon,” um episódio onde Sam e Dean investigaram um set de filme de terror mal assombrado. Eles produziram “Ghostfacers,” um episódio filmado para parecer um reality show sobre caçar fantasmas. “Nós sempre sentimos que estávamos um pouco em perigo, mas isso nos ajudava de certa forma,” Singer disse. “Nós falamos, ‘Se eles não gostam de nós, vamos ser ousados.’” E na 4ª temporada, eles provavelmente fizeram a maior e mais ousada decisão até então: Eles introduziram anjos (assim sendo uma linha muito mais religiosa) à pasta, e esse é o ponto que Singer considera a grande virada. “Eu estava preocupado que fosse uma ponte para muito longe,” Padalecki disse à respeito da decisão angelical. “Eu pensei, ‘Nós vamos excluir várias das pessoas que vieram até aqui para assistir um filme de terror?’” o próprio Kripke lutava contra essa ideia por anos, até que uma epifania pré 4ª temporada veio até ele enquanto lavava seu rosto. “Eu percebi que o mundo sobrenatural não estava balanceado,” Kripke disse. “Só havia mal. Então eu fui até o escritório dos roteiristas no primeiro dia da 4ª temporada e disse, ‘Okay, terá anjos... mas eles serão babacas!’” 

Portanto começou o que Kripke, quem criou Revolution e co-criou Timeless, acredita ser uma das melhores obras que ele escreveu para televisão: a première da 4ª temporada. “Lazarus Rising” apresentou Castiel, o anjo que está a mais tempo na série. “Logo antes da minha cena, [a roteirista] Sera Gamble falou, ‘Sua vida está prestes a mudar,’” lembra-se Misha Collins, ator que interpreta Castiel. Ele diz rindo, “Eu estava tipo, ‘Você é tão metida.’” Mas a esposa de Collins fez a mesma coisa quando ele mudou de ator convidado para ator regular depois de suas múltiplas mortes – e até um breve momento como Deus – para alguém que Sam e Dean consideram família. “Anjos completaram a mitologia,” Kripke disse, e com eles, a série conseguiu fazer o que a então roteirista/showrunner Gamble refere-se como “apocalipse programado regularmente” no final da 5ª temporada. Era o bem versus o mal. Michael versus Lúcifer. Dean versus Sam. E por um tempo, todos acharam que era o fim da série. Mas quando a network deu aos produtores a renovação para uma 6ª temporada, os roteiristas ficaram com a missão de desenvolver que diabos aconteceria depois de um apocalipse. A resposta? Qualquer coisa que quisessem.

“Um benefício do gênero é que nós temos uma série em que tudo pode acontecer,” o então roteirista e atual co-showrunner Andrew Dabb falou. “Uma série de medicina é limitada ao o que eles podem fazer. Nós não.” Então as próximas temporadas de Supernatural empurraram mais limites ainda, com realidades alternadas, meta episódios (“The French Mistake,” alguém?), e novos vilões. Isso não quer dizer que tudo funcionou, mas essa é a beleza de uma série longa com uma audiência tão devota – nem tudo precisa funcionar. “Os fãs perdoariam erros em certos episódios porque eles amam assistir Sam e Dean,” Singer diz. Falar que os fãs de Supernatural gostam de Supernatural é como dizer que o Dean gosta de tortas. Não é sobre gostar disso. É sobre amar isso. “Eu não acho que temos fãs comuns,” diz Singer. “Eles vivem e respiram essa série.” A #SPNFamily reúne por todo país (e globo) convenções todo ano, e todo Julho eles lotam o maior local, Hall H, na San Diego Comic-Con. São esses fãs que são devotos à Sam e Dean, mesmo quando o Impala toma o caminho errado. “A habilidade da série de envolver e se adaptar é o que faz ter 14 temporadas,” Dabb diz. “Teoricamente ainda tem vários Leviathans por aí que nós não lidamos, mas não tocamos nesse assunto.”

Com opções sem limites e o perdão do público ao lado, tem uma regra que a série precisa seguir – isso é, fora dos padrões e práticas. “Eu dou o crédito a Bob Singer, por propor desde o começo a ideia que a série pode ir para qualquer direção enquanto os personagens permaneçam verdadeiros consigo,” o antigo showrunner Jeremy Carver disse. “O núcleo do show é o vínculo entre os irmãos.” Com Sam e Dean sendo sua base, a série pode fazer episódios como da 11ª temporada “Baby”, que foi inteiramente gravado na visão do Impala, ou da 13ª “Scoobynatural,” um cruzamento com a animação Scooby-Doo. “Uma das coisas legais em assistir Supernatural é que se você pode imaginar, provavelmente em uma pequena cidade em algum lugar dos EUA está acontecendo,” diz Gamble. “Não é como qualquer outra série, sério, na história televisiva dos EUA.” E com 14 temporadas, continua achando jeitos de surpreender os fãs, por exemplo, trazendo John Winchester de volta.

“PAI?”

Ao lado do seu irmão caçula, no bunker dos Homens de Letras, Dean não consegue acreditar no que está vendo. Dessa vez ele não está recrutando seu irmão para achar seu pai, porque seu pai veio até eles. E ele não mudou muito. Sua barba está mais cinza e seu rosto mais magro, mas não é surpresa pra ninguém que John voltou com o rifle em suas mãos. (desculpa fãs de The Walking Dead; o rifle veio antes da Lucille.) Mas John não é o único que mudou. Em pé na frente dele, Sam e Dean não são mais as crianças que abarrotavam os homens do exército de brinquedo no cinzeiro do Impala, ou mesmo os jovens adultos que foram a procura dele no piloto. Eles cresceram. A vida deles, um tanto simples, mudou. O mesmo pode ser dito sobre os próprios atores. Na verdade, Ackles está dois anos mais velho que Morgan quando filmou o piloto. “É assim que o círculo é completo,” disse Morgan. “Como um pai, eu estou muito orgulhoso pelos caras. Isso me deixa engasgado porque eles se saíram tão bem aqui. Episódio 300? Isso é inédito.”

Quanto à como John volta, podemos dizer que as coisas ficaram estranhas – elas sempre ficam! – e tem uma realidade alterada rolando. “Nossos caras são colocados em uma posição onde eles podem ter um desejo concedido,” Dabb disse. “Na verdade eles estão esperando outra coisa, mas [a volta de John] vem de um lugar de querer por Dean. A necessidade de um fecho é o que realmente traz John de volta para suas vidas.” Mas John não é o único a voltar. Como em qualquer realidade alterada, nem tudo muda para o bom. Sem ser muito específico, seja o que for que trouxe John de volta, também trouxe Zachariah (Kurt Fuller), o anjo que via Sam e Dean como apenas espinhos em seu caminho. (Assim como Kripke falou, anjos são babacas!) Falando de anjos, essa realidade também afeta Castiel... de certa forma. Agora os meninos estão lidando com uma versão diferente (embora não totalmente desconhecida) de seu amigo.

Mas para Morgan, que foi questionado por anos sobre o retorno, sempre foi sobre trazer o John de volta do jeito certo. “As relações entre esses três homens eram abertas, então se eu fosse voltar, seria bom se houvesse um fechamento, especialmente com o Sammy,” Morgan disse. E antes que a hora acabe, ambos meninos terão um momento sozinhos com o pai. “Esse episódio dá ao Sam uma chance de perdoar,” Padalecki disse. Ackles adicionou, “Para Dean, o episódio inteiro é um sonho do qual ele não quer acordar. Mas ele sabe que precisa.”

Na cozinha do bunker, onde Padalecki declarou “o momento reunião” horas atrás, Sam e Dean estão sentados em volta da mesa tomando uma garrafa de whiskey com seu pai e o atualizando de tudo que perdeu. Sim, eles salvaram o mundo (mais de uma vez). Sim, Lúcifer tem um filho. Mas o mais importante, a esposa falecida de John, Mary – a mulher que ele passou a vida tentando vingar – está viva. Em seguida Mary entra para o momento que ela nunca imaginou, mas de modo estranho sempre esperou por. “Tudo está certo no mundo nessa bolha do tempo,” Samantha Smith, que interpreta Mary, diz sobre a reunião do casal. “É muito romântico.”

Mas assim como os Winchesters bem sabem, todas as coisas boas tem um fim. E quando isso é dito e feito, Sam e Dean vão retomar a sua vida, dirigindo por estradas loucas lado a lado. Porque além da série bater 300 episódios, ninguém está pronto para dar tchau. “Eu acho que não estamos prontos para jogar a toalha,” Ackles diz. “Nós ainda temos um pouco de gasolina no tanque.” De outra forma, Sam e Dean ainda tem trabalho à fazer.

FONTE | Tradução: Ana Flora Gruner para o Supernatural Tentation.
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